Mestre da Zebra

Metodologia

O que o índice mede

O Índice da Zebra é uma pontuação de 0 a 100 que descreve, depois do fato, o quanto o resultado real de uma partida destoou da probabilidade implícita nas odds pré-jogo. Ele não prevê nada — é uma medida histórica e descritiva, calculada apenas após o apito final.

Fórmula exata

  1. Converte a odd decimal de cada resultado (casa/empate/fora) em probabilidade implícita bruta: 1 ÷ odd.
  2. Normaliza pelo overround (a soma das três probabilidades brutas sempre passa de 100% — essa margem do operador é removida) para que as três somem exatamente 100%.
  3. Toma a probabilidade implícita normalizada do resultado que realmente aconteceu — essa é a "probabilidade implícita" mostrada em cada partida.
  4. Compara essa probabilidade com a taxa histórica daquele tipo de resultado (casa, empate ou fora) na competição, não com 100%: Índice = arredondar(clamp(50 × (2 − probabilidade ÷ taxa histórica), 0, 100)).

Na prática: se a probabilidade bater exatamente a taxa histórica, Índice = 50 — o meio da escala, sem informação. Abaixo da taxa histórica (o mercado achou esse confronto específico menos provável de terminar assim do que o normal para esse tipo de resultado), o índice sobe até 100. Acima da taxa histórica (o mercado estava mais confiante que a média), o índice desce até 0.

Taxas históricas usadas hoje, medidas em dados reais e públicos (ver "Fonte de dados" abaixo): Brasileirão — 46% casa / 29% empate / 25% fora (205 partidas da temporada atual); Copa do Mundo 2026 — 44% casa / 28% empate / 28% fora (torneio completo, 104 partidas; "casa"/"fora" aqui é só o rótulo da tabela de jogos, já que os jogos são em campo neutro).

Faixas: zebra alta (índice ≥ 65), zebra média (45–64),favorito confirmado (abaixo de 45). Diferente da fórmula, as faixas não são fixas para sempre — são recalibradas a partir da distribuição real do índice conforme mais partidas entram na amostra (valores atuais calculados sobre as 43 partidas publicadas em 31/07/2026).

Por que mudamos a fórmula

Até 31/07/2026, o Índice usava Índice = arredondar(100 × (1 − probabilidade)), comparando sempre contra 100%. O problema: um empate raramente é o resultado mais provável de uma partida, então sua probabilidade implícita normalizada quase sempre fica entre 20% e 40% — o que dava a todo empate um índice de 60 a 80, mesmo os mais previsíveis. Empates eram 40% da amostra do site e 0% da faixa "favorito confirmado". Um empate chato entre dois times medianos terminava marcado como zebra maior que uma goleada fora de casa que o mercado via como resultado mais provável.

A fórmula atual resolve isso comparando a probabilidade de cada resultado com a taxa histórica do seu próprio tipo, não com 100% — um empate na taxa normal de empates carrega zero informação e fica no meio da escala, exatamente como qualquer outro resultado igualmente esperado.

Fonte de dados

Resultados e odds pré-jogo vêm do mesmo provedor de dados esportivos, para a mesma partida, na mesma chamada — deliberadamente, para eliminar o risco de cruzar dois provedores diferentes e inverter mandante e visitante no meio do caminho. O índice é recalculado a cada rodada encerrada, a partir de dados públicos e verificáveis; a integridade do cruzamento mandante/visitante é auditada periodicamente contra uma segunda fonte independente.

Limitações

  • O índice só é calculado para partidas com odds pré-jogo completas disponíveis — nem toda partida tem cobertura.
  • Cobertura de odds para o Brasileirão é parcial: nem toda rodada tem odds pré-jogo completas disponíveis para todas as partidas. A proporção coberta é mostrada em cada rodada e em /estatisticas/ — e essa cobertura não é uma amostra aleatória das partidas (ver "Partidas eliminatórias" abaixo para o caso da Copa 2026, e /estatisticas/ para a diferença entre partidas cobertas e não cobertas).
  • É uma medida descritiva do passado, não uma previsão para jogos futuros.
  • Não considera fatores fora do mercado de odds (lesões, escalação, clima) além do que já está precificado pelas odds.

Partidas eliminatórias: qual placar conta?

Mercados 1X2 (casa/empate/fora) fecham no fim dos 90 minutos mais acréscimos — não na prorrogação, e não nos pênaltis. Quando uma partida eliminatória vai além disso, o Índice da Zebra usa o placar do tempo regulamentar, porque é esse o resultado que as odds pré-jogo realmente precificaram. Um pênalti decidido nos pênaltis é, para o mercado 1X2, um empate.

Isso pode parecer um erro à primeira vista: a final da Copa do Mundo 2026 aparece no site como Espanha 0–0 Argentina, quando o resultado real da partida foi Espanha 1–0 (gol na prorrogação). Os dois números estão certos, para perguntas diferentes — 0–0 é o que o mercado precificou e decidiu o índice; 1–0 é quem ergueu a taça. Toda partida nessa situação mostra as duas informações lado a lado, com a nota "(90min)" junto ao placar.

Isso vale para qualquer eliminatória — Copa do Mundo, Copa do Brasil, Libertadores — sempre que o jogo passar dos 90 minutos regulamentares.

Aplicação prática: um exemplo real

Na semifinal da Copa do Mundo 2026, a França perdeu para a Espanha por 0 a 2 — fora de casa venceu. A probabilidade implícita pré-jogo (já normalizada) para a vitória da Espanha era de 31%. A taxa histórica de vitórias fora na Copa 2026 é 28%.

Aplicando a fórmula: Índice = arredondar(clamp(50 × (2 − 0,31 ÷ 0,28), 0, 100)) = arredondar(50 × 0,893) =45. Cai perto do meio da faixa de zebra média (45–64) — a Espanha venceu fora com uma probabilidade só um pouco acima do normal para vitórias fora nessa competição, então o resultado não foi nem muito surpreendente nem muito esperado.

Para comparação, a outra semifinal (Inglaterra 1 x 2 Argentina) teve probabilidade implícita pré-jogo de 28% para a vitória da Argentina fora de casa — exatamente a taxa histórica de vitórias fora (28%) nessa competição. Índice = arredondar(50 × (2 − 1,0)) = 50, o meio exato da escala: esse resultado não carrega nenhuma informação além do que "vitórias fora acontecem" já diz.